Que tal um protocolo?? Por Cláudio de Moura e Castro

Falta de protocolos

Por que a mão de obra americana é mais produtiva do que a brasileira?

Por Cláudio de Moura e Castro

Adam Smith foi o primeiro a perguntar, mas não o último:

Por que uns países são ricos e outros são pobres?

Estudos recentes sugerem que as diferenças de produtividade são uma hipótese promissora.

Se soubermos porque a mão de obra dos Estados Unidos gera cinco vezes mais produtos do que a nossa, estaremos no caminho da resposta.

Aliás, os brasileiros são mais produtivos lá do que aqui, mesmo quando usam tecnologia igual.

Especulemos.

Na boa medicina, há instruções a serem seguidas, são os chamados protocolos.

Se o sintoma é esse, o remédio é aquele.

Uma apendicectomia tem todos os seus procedimentos mapeados pelo protocolo correspondente.

Minha hipótese é que há problemas com os nossos protocolos, não na medicina, mas no PROCESSO PRODUTIVO.

Proponho três hipóteses:

  1. não há protocolos
  2. o agente desconhece o protocolo ou
  3. o protocolo é burro.

Essas três fragilidades ajudam a explicar a nossa baixa produtividade.

  1. Não há protocolo.

A cada ocorrência, a pessoa para, pensa e inventa uma solução.

Se é algo novo, paciência.

Mas, se é um evento repetitivo, perde-se tempo e a solução não é a melhor possível.

Diante de um pedido, o funcionário do banco coça a cabeça, olha no computador, pergunta ao colega e telefona.

Se o assunto não é novo, por que não há um protocolo já pronto?

  1. O agente desconhece o protocolo.

Por que desconhece?

Falta de treinamento? Incapacidade de entender as instruções? Atitude displicente?

Na prática, o funcionário não sabe se o material resiste à corrosão, qual a precisão exigida pelo fabricante, como ligar o trifásico.

E os clássicos: cumprir o horário e o prometido.

  1. O protocolo é burro.

Uma das fontes mais pródigas nos dias de hoje é informatizar o que já era idiota como procedimento manual.

Vejamos apenas exemplos do cotidiano.

  • Fiz uma comprinha numa loja pequena. Quatro pessoas participaram do atendimento.
  • Para quem chega ao aeroporto com passagem marcada, só falta dizer quantas malas tem. Por que a enormidade de teclas pressionadas pela atendente?
  • Vemos nos bancos e alhures que, além de teclar no computador, o funcionário precisa anotar coisas em um papelzinho. É burrice informática.
  • Preenchemos não sei quantas vezes as mesmas informações em formulários diferentes.
  • O médico digita e imprime os exames pedidos. No laboratório, a atendente vai transcrever tudo, do papel para o computador.
  • As portarias dos edifícios pedem o número da identidade. Como não a conferem, vale inventar qualquer número. Aliás, pedir o RG faz o edifício mais seguro?

Esses exemplos do cotidiano meramente ilustram os drenos em nossa produtividade.

Não passam de um convite para pensar em um dos problemas mais sérios da economia brasileira.

O artigo original foi publicado na Revista VEJA do dia 10 de maio de 2017.

Agradecimentos ao eminente autor pelo seu apoio.


Sobre o autor:  Cláudio de Moura e CastroClaudio de Moura Castro Educador

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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